O que é Orientação Profissional?
- Maria Beatriz Castro

- 16 de mar.
- 3 min de leitura
"Você faz aqueles testes para descobrir com o que eu tenho que trabalhar?"
Orientação Profissional, Orientação Vocacional ou até mesmo Teste Vocacional são termos que são confundidos normalmente quando pensamos nessa interessante área da psicologia. E eu falo isso com total propriedade, afinal quando eu tinha 16 anos e passei por esse processo, eu chamei de orientação vocacional até a psicóloga me questionar se eu estava buscando uma profissão ou uma vocação.
Qual a diferença entre ambos?
Vocação parte da ideia que existe um conjunto de aptidões naturais que você pode descobrir que já tem e a partir disso você seleciona quais empregos e profissões se encaixam nessa sua lista.
É meio como querer fazer uma receita e só poder utilizar os ingredientes que você já tem em casa, sem poder sair para comprar. Ou seja, as receitas (ou profissões) que você pode escolher são limitadas há coisas (habilidades) que você já tem.
Agora uma profissão é outra coisa. São trabalhos especializados que são feitos dentro da sociedade.
O que isso quer dizer? Que uma pessoa vai se especializar naquele trabalho, vai estudar aquilo - seja formalmente em uma instituição como uma universidade ou informalmente como com outros profissionais - e depois desse período vai começar a trabalhar nessa área.
Dessa forma, não é necessário que você já tenha as habilidades a priori, afinal você vai se especializar nessa atividade. Você pode aprender o que vai ser preciso para atuar durante esse período de aprendizado.
E nesse caso, como que escolhemos uma carreira? A Orientação Profissional serve para isso.
Durante o processo de orientação, o jovem vai trabalhar junto com a orientadora para conseguir compreender a si mesmo, aos seus desejos e ao mundo do trabalho.
O autoconhecimento desenvolvido no processo passa por diversos aspectos, como entender das coisas que você gosta de fazer e não gosta, até a Deuteroescolha - nome bonito que significa como escolhemos escolher. Esse momento é fundamental entender o indivíduo que está ali, pronto para tomar uma decisão. Podendo ou não se utilizar de testes, atividades ou qualquer outra ferramenta externa para isso.
Entender os desejos em relação ao mundo do trabalho é a segunda parte. É compreender o que é desejado quando se pensa em trabalho e carreira. Quais são os critérios daquela pessoa, o que são não negociáveis e o que é flexível.
Só então podemos buscar informações para conhecer o mundo do trabalho. Seja procurar sobre faculdades e cursos ou buscar opções fora desse espaço, como montar um negócio ou trabalhar de forma autônoma. Cada indivíduo tem possibilidades e vontades diferentes, que precisam ser consideradas no momento da escolha de carreira.
Ao final desse processo que é feita a escolha finalmente. Decidir sobre o que será feito com tudo que foi pensado durante o processo e trabalhar com a aceitação e a frustração ligada com essa escolha.
Então, se pensarmos na ideia da cozinha, nesse caso cada profissão (receita) já tem uma lista de ingredientes pré-definida e você pode usá-la para descobrir se já os tem em casa (habilidades) ou se precisa sair para comprar (aprender).

Além disso, esse processo tem começo, meio e fim claro. Não é algo que se estende por muito tempo, tendo como duração média de 8 à 12 sessões. É algo pontual e com o foco totalmente na carreira.
Dessa forma, fica claro que o processo de Orientação Profissional não é só realizar testes e descobrir com o que o indivíduo deve trabalhar. É entender junto ao orientando o que são as habilidades, vontades e possibilidades que ele tem, para então construir juntos um plano de ação que ele poderá usar como guia para sua própria vida.
Se você está passando pelo momento de escolha profissional, seja a primeira ou uma transição de carreira, saiba que existe um processo específico para o que você. E se quiser entrar em contato, eu estou disponível para ajudá-lo nisso.

Maria Beatriz Castro
Psicóloga clínica que adora escrever sobre psicologia, TCC e seus hobbies.


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